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Felipe Nunes lança EP “Entropykos”

April 3, 2020

Felipe Nunes é cantor, compositor, poeta, historiador e está prestes de se tornar mestre em antropologia social pela UFRN. Sergipano radicado em Natal (RN) há mais de 7 anos, integrou durante dois anos a trupe de poetas que organiza o ​Sarau Insurgências Poéticas que se notabilizou nos últimos anos por pelos saraus multi artísticos promovidos no Rio Grande do Norte e Nordeste. Já há algum tempo é possível acompanhar seu trabalho musical na noite potiguar. Além de sua próprias canções, Felipe dedica-se a dois projetos coletivos: o ​Agô​, que faz releituras de canções afro-brasileiras, e a ​Tríade Rebelde , dedicada a fazer releituras de clássicos da música latino-americana.

 

ESCUTE ''ENTROPYKOS'' NAS PLATAFORMAS DIGITAIS

 

 Foto: Augusto Junior

 

Em Novembro de 2019 Felipe lançou o single ​Mandinga ​e a partir de 03 de abril disponibiliza nas plataformas digitais as cinco músicas de seu EP de estréia, pelo selo Rizomarte Records​. O processo criativo que resultou na sonoridade do ​Entropykos ​durou um ano e o resultado final é uma mistura consistente entre elementos sonoros orgânicos e eletrônicos, contando com participações especiais que deram corpo e movimento a cada uma das canções. Dar corpo não apenas como uma metáfora, mas sim como uma busca por

conexões viscerais entre passado, presente e futuro através da musicalidade. Nessa ligação umbilical entre os sons e a força poética das letras e melodias, o EP se apresenta como um delicado microcosmo sonoro-poético povoado pela ancestralidade negra e indígena que ancoram e norteiam a formação histórico-cultural brasileira.

 

Sobre os caminhos que levaram ao seu EP de estréia, Felipe comenta que “O EP buscou contar a história através de narrativas contra-hegemônicas. Sabemos que viemos de muitas direções e temos inúmeras histórias para contar. Neste sentido, o Entropykos nasce da simbiose entre entropia (termo da física onde, a grosso modo, afirma que estamos sempre a se multiplicar e se movimentar) com a palavra tropicalismo que permeia o trabalho de Caetano, Gil, Jorge Mautner, Gal Costa, Nara Leão, dentre outrxs. O tropicalismo foi a minha primeira escola filosófica-musical ainda na adolescência. O nome é um reflexo literal do trabalho, onde buscamos amalgamar diversas sonoridades sobre as histórias que formam a identidade cultural brasileira. Tenho muitas referências teóricas e sonoras, ao mesmo tempo desejava não estar preso a nenhuma delas, a solução foi misturar tudo''.

 

Foto Capa: Augusto Júnior / Direção de Arte: Augusto Junior, Felipe Nunes e Rodrigo Costa 

 

Já sobre a ideia visual da capa, Felipe nos diz que ''foi pensada conjuntamente com Rodrigo Costa (artista visual e designer) e Augusto Júnior (antropólogo e fotógrafo) e traz a sobreposição ótica entre o humano e a cabeça de um boi que é um símbolo milenar presente em diversas culturas (ocidental, oriental, africana, ameríndia) com distintos significados. Dentre eles o de princípio organizador da vida, amuleto, de proteção da colheita e do alimento. Ela está representada em inúmeras tradições culturais como muata calombo, munhanhe, minos, boi de reis e tantos outros. É possível encontrá-la desde as selvas africanas, palácios greco-romanos até nas matas do sertão brasileiro''.

 

Da psicodelia presente nos timbres de sintetizadores, somados a grooves de funk, batidas ijexás, afoxés, guitarras, violões, programações eletrônicas, flautas e rabecas. Essa sutil amálgama de elementos foi o caminho adotado para a construção da identidade sonora do EP, que contou com a produção musical de Pedras, integrante e produtor de discos dos projetos Igapó de Almas, Luisa e os Alquimistas, Zé Caxangá e Seu Conjunto, dentre outros. O fio condutor deste processo foi a escuta do universo temático das próprias letras, que tocam em temas como a releitura da história a partir da ancestralidade, o legado de luta e resistência dos povos indígenas e negros/as, a importância da resiliência como estratégia de vida, a linha tênue entre utopias e distopias, dentre outras transas.

 

O ​Entropykos ​também conta conta com as participações musicais do percussionista Kleber Moreira (Rosa de Pedra e Nação Zambêracatu), a professora da Escola de Música da UFRN Heather Dea Jennings tocando flauta, a cantora e instrumentista Tiquinha Rodrigues (Rosa de Pedra, Orquestra Sinfônica, Camomila Chá, Bandissíma) na Rabeca, o instrumentista Rafael Melo e o produtor musical Walter Nazário nas guitarras, Pedras Leão nos contrabaixos e bases eletrônicas, além da produção musical, e o músico Henrique Lopes nos sintetizadores e direção artística.

A cidade de Natal/RN sempre foi laboratório e celeiro de ótimos cancionistas ao longo de sua história, Felipe é mais um destes compositores que, pouco a pouco, vai abrindo seu espaço na cena musical da cidade e arredores. Nada melhor que escutar ​Entropykos para perceber a potência que é viver e cantar as experiências que por aqui ecoam.

 

Ficha Técnica:

Direção artística: Felipe Nunes, Henrique Lopes e Pedras Leão Produção Executiva: Henrique Lopes
Produção Musical, Mixagem e Masterização: Pedras Leão
Edição de Áudio: Yves Fernandes (com exceção de “Mandinga”) Direção de Arte e Capa: Felipe Nunes, Rodrigo Costa e Augusto Júnior Fotos de divulgação e Capa: Augusto Júnior

Músicos participantes: Felipe Nunes, Henrique Lopes, Heather Dea Jennings (em Trabandá), Pedras Leão, Kleber Moreira, Rafael Melo (em Canto Ancestral), Tiquinha Rodrigues (em Trabandá e Resiliência), Walter Nazário (em Resiliência)
Gravação: Estúdio Cigarra

Selo: Rizomarte Records

Distribuição: Tratore

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